domingo, 9 de janeiro de 2011

Preconceito de quê?



Preconceito sm 1 Conceito antecipado. 2 Opinião formada sem reflexão; superstição; prejuízo.
Fonte: Minidicionário Ruth Rocha. 2001. (sem preconceito).
Analisando:
Preconceito é o conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério - PRÉ (antecipação) + CONCEITO (entendimento, ideia  opinião) então neste significado condiz com uma "antecipação de idéias", e confirma a frase posterior: "sem fundamento sério", sem base, sem concepção sólida. Superstição a palavra logo no início dela, nos lembra algo "super" e isso quer dizer excessivo, e na sua significação menciona algo sobre excessiva crença errônea que induz a falsas concepções que levam a prática de coisas absurdas e imaginárias. Prejuízo e erro  na primeira palavra também significa "efeito de prejudicar" e "opinião antecipada", e a palavra erro também quer dizer equívoco, engano. Somando essas definições, teremos PRECONCEITO...é a antecipação de ideia que provém de uma excessiva crença errada que pode prejudicar alguém com essa concepção equivocada. Fonte: Recanto das letras.
Bom meus amigos, depois dessa aula o que podemos pensar?
Quando avistamos algo que nos "fere", pois vemos pelo olho esquerdo do julgamento, começamos a construir uma destruição externa e interna provocando inúmeros prejuízos ao avistado e ao mesmo tempo empodrecendo a alma daquele que avista e julga.
Com o espírito poluído de crenças e encucações milenares vamos identificando o que outrora nos pareciam "asqueroso" transportando para a vivência atual toda a formação viciosa e doente, desta forma, multiplicamos em nós o que "achamos" correto e concebível e vamos selecionando e condenando o que não nos satisfaz passando por cima do direito alheio, defendendo "com unhas e dentes" tais "conceitos" que na verdade são pré conceitos gerando assim o já famoso, divulgado e combatido preconceito. Vamos acordar? Vamos respeitar o outro? Vamos amar? 

Paz e muito amor para todos! Valéria Ribeiro.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Eu invejo, tu invejas, ele inveja, nós invejamos...


"A inveja não é querer o que o outro tem (isso é cobiça), mas querer que ele não tenha, é essa a grande tragédia do invejoso." Zuenir Carlos Ventura em Inveja: mal secreto. editora Objetiva-1988.

Conjugar esse verbo (se assim podemos dizer), pois está classificado na condição de sentimento onde ela é a condutora da "ação" produzida e impulsionada por ela exemplificando... destruição de lares, destruição de talentos, movimentação maledicente, aniquilação de grupos etc,etc,etc. Nos deixa chocados, não?
Como disse sabiamente nosso escritor e poeta Zuenir, O que é pior na inveja é querer o mal do outro, tirar dele o que pussui, na verdade não para termos, mas para destruirmos nele. Essa é a verdade.
Então urgentemente precisamos olhar nosso íntimo e perguntarmos o que eu não tenho, mas também não quero que o outro tenha? Inteligência? talento? autoestima? beleza interior? fascínio? É isso que não temos e não queremos que o outro tenha? ou será a riqueza, a fartura, a oportunidade, a fama, a atenção de todos? é isso que não temos, não queremos que o outro tenha, mas também queremos para nós?
Qual são os valores que trazemos em nosso íntimo para saber onde nos colocamos nas questões acima?
Pensamos nisso como naturais ou pensamos nisso como urgência em transformação interior?
Precisamos pensar nisso, resgatando o amor próprio no sentido de valorização íntima que produz o despertar dos talentos. Reavaliar nossas prioridades, resgatar o amor exterior. Amar a si próprio elevando a autoestima proporcionando o amor ao próximo assim, valorizando a realização alheia.
XÔ inveja. Vamos conjugar o verbo amar (na expressão das ações que ele produz)...Eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos. Valéria Ribeiro. 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sentimento de culpa o pivô da enfermidade humana.

O sentimento de culpa está presente em nós desde os primórdios da humanidade, inconscientemente nos sentimos responsáveis por tudo que acontece em nossa volta e este sentimento é reforçado mesmo antes de nascermos, no ventre materno, quando ao captarmos as vibrações positivas ou negativas de nossa mãe, vibramos também essas sensações formulando em nós responsabilidades que nos são impostas e que possivelmente assumiremos no futuro.
     Já primitivamente ele se faz presente, pois percebemos a necessidade de sobrevivência a que deveremos assumir e instintivamente sabemos que cabe a nós tal sobrevivência e que o mundo lá fora espera atitudes.
     Culpamos-nos então, pela gravidez, pelo parto, por qualquer dor que nossa mãe sente e sentirá pela impotência diante do novo para ela, etc. nascemos e passamos a fazer parte da vida material e suas cobranças, percebemos reações novas diante de nossas necessidades e a angústia que ela trás para nosso responsável íntimo. Se o suprimento dessas necessidades materiais não nos alcança, seja por desfavorecimento social e ou familiar, nos culpamos pela solidão dos afetos, pela fome, pela injustiça e por tudo que ela causa em nós e em nossa família.
     As culpas que estão em nossa alma, refletidas pelo perispírito que as mantém fixadas a espera da cura, misturam-se às novas e assim sucessivamente as cicatrizes vão aumentando e cobrando o despertar para a cura.
     Que fazer diante de tão complexa experimentação? Perguntamos-nos se não há exagero em tais afirmativas e se é certo generalizar tais sentimentos. Então, por que nos sentimos envoltos em fobias, em carências, em transtornos e em vários desequilíbrios, pequenos ou grandes que lotam os consultórios neurológicos, psiquiátricos, psicanalíticos, grupos de estudos, rodas de troca de experiências e tantos outros oferecidos à nós?
Não terminamos com o namorado, mesmo que nos faça mal por pensarmos que temos culpa, não saímos de um casamento que nos violenta por nos sentirmos culpados por tê-lo escolhido, não nos distanciamos daquele amigo que nos vampiriza por acharmos que somos responsáveis pela escolha de sua companhia, não nos desvinculamos daquela crença por acreditarmos que ela nos aliviará da culpa por ter precisado procurá-la. Sentimos-nos tristes e inseguros, por isso precisamos deles ou delas.
Então como nos livrarmos desse sentimento que foi o ponto de partida para o nosso sofrimento? Procurando através do autoconhecimento identificá-lo e tratá-lo num auto-ajuste das verdadeiras responsabilidades que incutimos em nós mesmos em todas as nossas vivências.
Devemos procurar justificar os atos e as respostas como procedimentos naturais da sobrevivência, assim poderemos nos poupar da responsabilidade pelas atitudes, sentimentos e cobranças que são naturalmente feitos à nós.
Sentindo-nos livres dessas cobranças, poderemos aceitar que tudo pode acontecer, mas que nem sempre são nossas responsabilidades. Dessa forma, o sentimento de culpa não aflorará e poderemos nos sentir sem dívidas com quem quer que seja. Mas sabemos que esta transformação não se faz num toque de mágica, precisamos querer e procurar ajuda, para que estes sentimentos possam se dissolver deixando à mostra a auto-afirmação de nossos atos diante da vida sem nos desvincularmos do nosso papel na existência humana, pois fazemos parte desse mundo e somos importantes para o equilíbrio Universal. Não se sentir culpado não é ignorar fatos e atos eminentes da vida, mas assegurarmos que são parte dela e que ela se faz presente na lei de causa e efeito. É necessário reconhecer os erros, consertá-los e seguir a diante nos perdoando e perdoando o outro. Esse é o melhor caminho.  
O conhecimento íntimo através da auto-análise nos faz avaliar o verdadeiro peso dos atos e conseqüências praticados, curando as cicatrizes criadas por nós. Sabemos também, que muitas cicatrizes são trazidas de vidas passadas, estão marcadas em nosso perispírito e o reconhecimento e superação desses medos e culpas, ajudará na busca do equilíbrio. Podemos sim, reparar nossos erros, nossos traumas, nossas culpas ainda nessa reencarnação, desligando os elos que nos unem aos nossos supostos “inimigos”, sintonizando a paz, a felicidade, o perdão, o resgate. Vigiemos nossos pensamentos, pois foram por eles que os atos se fizeram praticados, oremos diante da dificuldade, do medo, do desânimo, do limite. Vibremos amor, assim gradativamente limparemos o nosso redor da escuridão, trazendo a energia que despertará a luz interior. Assim, finalmente nos curando e nos tornando verdadeiramente espíritos plenos em sua imortalidade.





domingo, 26 de dezembro de 2010

Individual e intransferível


Individual e intransferível, própria e insubstituível. Assim é a nossa evolução.
No calendário formulado pelo homem, o que mais importa são os dias, meses e anos que se passam mostrando as fases naturais. "Romper o ano" entre fogos e bebedeiras significa relaxar as pressões daquele ano que se finda. - Ano novo, vida nova! dizemos e planejamos. Em sua maioria, não se olha para trás em busca do crescimento interior e da evolução da alma. Busca-se o crescimento monetário e o reconhecimento das conquistas materiais, intelectuais e social. É justo, já que fazem parte da conquista para a verdadeira evolução interior em busca do "Nirvana". O que é difícil de entender é que são as conquistas equilibradas que depuram a alma tomadas de cicatrizes errantes de milênios. A matéria e suas armadilhas são necessárias a nós onde conquistá-las e desprendermos dela faz parte do caminhar. Ela, a matéria abundante, mexe com nosso intelectual e nossos sentimentos onde desejos se misturam entre querer, poder conquistar e desprender.
A todo momento somos postos a prova em nossos desejos que se misturam a nossos sentimentos onde os enfermizamos ou  os curamos no trato com nossos semelhantes.
Quase sempre não conseguimos equilibrar nossos sentimentos com os mais próximos dando e tirando desde a atenção até o socorro propriamente dito, pois entrelaçamos nosso apoio ao que sentimos instantaneamente sempre no que captamos automaticamente naquele momento e sem apurarmos mais profundamente aquele sentimento. Assim, desprezamos aquela solicitação e jogamos ralo abaixo nossa oportunidade de amar.
O S.O.S Universal nem sempre é entendido por todos que inconscientemente o nota em lingua estranha da que está acostumado. Evoluimos no emaranhado de armadilhas que simplesmente poderíamos "pular" e nos livrarmos delas com mais facilidade entendendo que esse "pular" é simplesmente amar Universalmente.
Desejo que 2011 possa ser para todos nós um "pular" maravilhoso em busca da Humanização Humanitária Planetária. E enfim conquistarmos o tão esperado "Nirvana". Valéria Ribeiro.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

CARIDADE ou caridade, o que praticamos?

Estive pensando no verdadeiro objetivo da caridade, neste ato de praticar a caridade que tanto falamos. Penso também nas pessoas, foco principal desse ato. Procuro entender o fundo que move o praticar caridoso e as diversas desculpas que se procura para justificar as escolhas ao praticá-la.
     As pessoas desprovidas, alvo de tal prática pelas pessoas mais providas, sempre estão sujeitas a raciocínios e idéias pré-formuladas do que elas realmente precisam e merecem. Quando se movimenta para a prática da “caridade”, essa avaliação quase sempre é cruel, justifica-se o que não se têm, com aquilo que nunca teriam, então, são escolhidas as “citycós e 1,99” da vida para o suprimento dessa “caridade”. As promoções, as marcas inferiores e as substituições alimentares são feitas com frequência, pois “o pobre deve se adaptar” e “para não se acostumar já que não têm sempre”, esses argumentos são comuns, podendo parecer cruel, mas é a realidade, com raríssimas exceções.
     Diz a Doutrina que “Fora da CARIDADE não há salvação...”    mas, interpretada como nos convém, damos nosso “jeitinho” para praticá-la.
     Cristo não escolheu suas obras caridosas pelo o que achava que precisavam, esperava a verdadeira necessidade aflorar no necessitado para dar tudo de si. Grande era o seu poder, mas igualando-se ao desprovido doava-se despretensiosamente.
E nós? Igualamo-nos aos que pensamos que ajudamos? A igualdade é praticada pelos que se dizem herdeiros de Cristo no ato caridoso?
     Passamos pelo Natal, mês de grandes caridades, como que se a necessidade do irmão aguardasse tal data para ser atendida. Roupas novas nas sacolinhas, brinquedinhos melhores, bolsas de alimentos mais providas, pois essa é a data... ”Jesus nasceu”... Devemos comemorar, dizemos.
     Tivemos o ano todo, mas nos atemos em datas para praticar a “caridade material”, essa que vemos e achamos de real necessidade. Mas, nos esquecemos da CARIDADE espiritual, essa que tivemos o ano todo para doar. Boas energias, atenção ao aflito, boa vontade ao receber o irmão, receptividade aos que nos procuram, esforço no colaborar, boas idéias para harmonizar, ouvidos para ouvir, boca para consolar, mãos para apoiar e braços para abraçar.
     O ano passou e chegou outro, tivemos a oportunidade e ainda temos. Hospitais, casas de caridades, orfanatos, asilos, as ruas, as favelas esperam por nós na verdadeira CARIDADE do Cristo. Então, pensemos... CARIDADE ou caridade, o que praticaremos?
     Quando escrevi este texto há uns dois anos atrás para um jornalzinho espírita da cidade em que morava coloquei minhas observações daquele momento. Intrigava-me essa dúvida a respeito da verdadeira caridade, pois me prendia às necessidades da instituição em que me dedicava.
      Hoje, após mudar para uma cidade maior, fiquei a me perguntar se estava em mim entendido o meu discurso de outrora. Onde se modificou em mim essa prática?
     Deparei-me com realidades que não presenciava por lá. Crianças e Jovens nas ruas drogados, números sem fim de mendigos, pedintes e maltrapilhos. Uma multidão de pessoas indo e vindo, uma quantidade enorme de hospitais, orfanatos, abrigos. Apesar de já ter vivido nessa mesma cidade antes de mudar para a menor, eram tempos de raciocínio pobre com relação às necessidades fraternas. Na época não me detinha nestas questões.
     Passados anos numa vida mais calma, mas que nem por isso me deixou de pregar as peças das necessidades íntimas em “buscar” auxílio na fé, fui dessa forma movida às questões do comprometimento Universal e a caridade em primeiro lugar me chamou a realidade. Lá, a caridade institucionalizada. Aqui, a caridade individualizada, pois somos chamados a todo instante a praticá-la. Então veio a crise e o apelo: - Meu Deus, como praticá-la nessa situação? O que buscar? Perguntava-me a todo instante. E a resposta veio rápida. – Sempre que fores necessitada. – ouvi em meu íntimo a solução.
     Agora me sinto aberta para em todo instante estender as mãos a eles os meus irmãos que me solicitam. No sinal ao atravessar um deficiente visual, um remédio que uma mãe implora ao seu filho, um docinho que compro de um jovem, um alimento a uma solicitação repentina, uma palavra de conforto numa fila do banco, um conselho no mercado, um ouvido disposto a receber aquele desabafo, uma explicação que me pedem uma orientação a uma dúvida e tantas outras formas que vão surgindo a cada momento. São atos que aos poucos vão fazendo parte de nossa rotina e que cada vez mais aprimoramos em nosso coração a necessidade em praticá-los. Também me fiz mais maleável respeitando a caridade de cada um em seu momento evolutivo. O que vale é a intenção, não é mesmo? O coração aberto para ofertar o que podemos oferecer. E na roda da evolução, o merecimento está em cada um que recebe aquela oferta. “– O que queres?” Perguntou Jesus ao solicitante.
- O que queremos ofertar? Perguntamos nós ao nosso coração.
Portanto, respondendo a questão CARIDADE ou caridade? Podemos praticar ao nosso modo e ao nosso tempo.
“E quanto fizerdes, por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus, o Pai”. – Paulo (colossenses, 3:17).

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Quais são as suas expectativas?


Estava tentando buscar um motivo pelo qual sempre estamos nos frustrando com as coisas e com as pessoas nos tornando tristes e magoados.
      Pensava eu que poderia ser pela vaidade e pelo orgulho que não nos permitem aceitar as negações e as contrariedades. Mas, observei que muitas pessoas que não se demonstravam vaidosas e orgulhosas volta e meia se apresentavam frustradas e contrariadas por alguma coisa.
     Um dos conceitos que mais me atrai na Doutrina espírita é a orientação para a fé raciocinada. Penso, logo existo. Matutando e observando busquei em mim tal causa. Transportei-me à infância, à adolescência, à juventude e busquei na maturidade razões para tanta inquietação em relação aos caminhos por mim traçados. Nesta busca, na própria busca, encontrei a resposta. Tudo se baseava nas expectativas por mim alimentadas.
      A Doutrina nos informa que mesmo antes de nascermos já somos responsáveis pelos acontecimentos a que nos submeteremos isso porque podemos planejar escolher e buscar caminhos que nos ajudem na nossa jornada reencarnacionista em favor do objetivo final que é a felicidade plena no encontro com o Pai. Claro que estamos falando já em condições mais favoráveis, não em condições primitivas. Sabemos que existem exceções, como as reencarnações compulsórias, as impostas e até mesmo aquelas em que o espírito volta sem saber que tinha ido, mas sempre a busca pelo conserto, pela melhora. Mas em todas elas formam-se as expectativas do porvir.
     Criamos expectativas em tudo, em nós e nos outros. Alimentamos essa expectativa conservando-a em nosso subconsciente, assim cobrando os resultados constantemente como forma de alimentarmos nosso ego. Levamos essa sensação vida a fora, fora a vida também, pois na erraticidade também vivemos expectativas.
     Quando nascemos nossos pais já criaram expectativas a nosso respeito. Será menino ou menina? Será saudável? Inconscientemente eles já inculcaram em nós expectativas futuras. Aí é só citar; o que vai ser quando crescer? O que seremos quando crescermos? E transferimos para nossos colegas. - Nossa, fulano me traiu, contei um segredo a ele e ele passou adiante, expectativas criadas por nós com relação à fidelidade do outro. - Puxa, estou nesse emprego há anos e nem um aumento nem promoção, expectativas que alimentamos no nosso progresso e no reconhecimento de nosso chefe. - Nessa família ninguém me entende, expectativas que depositamos na compreensão de todos sobre nós e no merecimento de nos fazermos compreender.
     Conservamos expectativas em tudo, na amizade, nos companheiros de trabalho, no grupo de tarefa religiosa, na compreensão, na satisfação, na fidelidade, no reconhecimento. Nossa expectativa ultrapassa até mesmo a espiritualidade, esperamos sempre que nossa mediunidade seja usada pelos melhores espíritos e justificamos a demora como, manifestações anímicas de problemas que temos que resolver ainda. Se fizermos o bem, criamos expectativas na eficiência desse bem. O aluno cria expectativa no professor, esquecendo que ele também já criou expectativas sobre ele. Expectativas de pais para filhos, de filhos para pais, entre casais, vizinhos, nos animais que alimentamos, no comércio que freqüentamos, no carro que compramos, nos esportes que praticamos e que torcemos, nas músicas, nas roupas e no penteado da moda, na medicina moderna e no avanço da ciência, na ginástica que escolhemos, no curso, na especialização e nas compensações que eles podem trazer. No nosso jardim, no aparelho eletrônico e até na pasta de dente. Na fotografia, na conta do banco e no remédio novo. Naquele texto que escrevemos naquele texto que lemos. No sexo.
     Tudo bem que devemos sim nos preocupar com os resultados, mas não criar expectativas sobre eles. Jesus não criou expectativas com relação a seus discípulos, sabia de suas deficiências e também sabia da dificuldade e tempo que sua obra teria e precisava para ser entendida, exemplo temos, que até hoje ela ainda não é totalmente compreendida. Existem várias versões e vertentes para se compreender uma coisa simples que é o amor. Mesmo porque, até para o amor criam-se expectativas. -  Ele realmente me ama? Esse amor é puro? Eu amo sim, mas o amor é diferente para cada um, geralmente dizemos. Se ele realmente me amasse, não me trairia etc. Expectativas mil que nos faz sofrer quando os resultados não nos favorecem, pois amar a todos como a si mesmo, sem expectativas, o amor puro é raríssimo.
     Quando vou a palestras, vejo claramente a procura do palestrante em perceber as opiniões sobre o seu assunto, pois ele criara expectativas que deveriam finalizar em sucesso, se isso não acontece se frustra.
     Um dirigente de uma instituição religiosa cria expectativas para o sucesso de sua casa e os integrantes participativos ou não criam expectativas sobre os seus trabalhos e no reconhecimento dos resultados dos seus esforços. Preocupam-se se a casa está cheia ou não, se vão conseguir fazer aquela obra ou não, se estarão nesse departamento ou não, pois estão muito tempo na casa e deveriam ser reconhecidos por isso. Geralmente o dirigente se preocupa em impor suas idéias e autoridade, adotando a responsabilidade sobre os trabalhos alheios para que eles não frustrem suas expectativas de sucesso e eficiência no mandato. Os freqüentadores criam expectativas mirabolantes, esperando comunicações, manifestações, “milagres”, curas, etc.
     Então nos perguntamos; mas sem as expectativas não se acabam as esperanças e os esforços para que os resultados sejam positivos? Não surgiria assim uma humanidade sem perspectiva?
     Bom, mas que perspectiva se quer? O resultado que a expectativa espera? Ou o respeito pelo resultado obtido, já que nem todo resultado depende unicamente de nós mesmos? Vamos procurar enxergar o amadurecimento e o resultado que cada um fornece aos acontecimentos. Não criemos expectativas no outro, pois o outro também tem as suas expectativas.
     Até na fé colocamos nossas expectativas, pois em nossas orações, pedimos resultados que esperamos para os nossos problemas. Na oração maior, no Pão nosso de cada dia, Jesus nos ensinou que esse é o pão necessário, o pão do dia, não nos recomenda adiantarmos o pão de amanhã, um após o outro, obra após obra, e o resultado virá aos poucos, respeitando o limite de cada um, respeitando o limite próprio, sem criar expectativas. A esperança que Jesus nos deu, está no amor, não criou expectativas infundadas, pois o amor é respeito ao limite alheio. Nós é que criamos expectativas Nele esperando que Ele retire de nós todos os sofrimentos. Na figura da cruz, inculcaram em nós a culpa e criaram em nós expectativas de curarmos essa culpa, assim nos prendendo nesse círculo vicioso. Na verdade devemos “curar” nossas expectativas nos tornando leves, pois amenizaremos os sentimentos de culpas que temos e criamos nas expectativas doentias.
Quero pedir a todos perdão por ter alimentado expectativas em relação a cada um e por ter criado expectativas em cada um. Só precisamos perdoar e respeitar uns aos outros dando nossa parcela participativa na construção do bem juntamente com a parcela participativa de cada um, pois somos integrantes da criação, cooperadores da criação e individualidades com suas bagagens e necessidades. Valéria Ribeiro

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Nossas prisões

Quando fomos criados pelo Pai, simples e ignorantes, nos foi presenteado além da vida no seu sopro cósmico Universal a liberdade que veio no livre arbítrio que o Criador nos proporcionou para que pudéssemos usufruir dele todo o espaço planetário.
Ironia do destino ou não, aí começaram as nossas prisões.
Rastejantes tomamos a terra fugindo da prisão das águas que já não nos satisfaziam e nos sufocavam. Num esforço nos inclinamos verticalmente, pois a terra tomando todo o nosso corpo já nos restringia e nos aprisionava num olhar limitado. Levantamo-nos. Todo aquele espaço nos parecia pequeno e fomos desbravando-os em lutas pela sobrevivência nos aprisionando nas batalhas dos sentimentos até então desconhecidos. Conhecemos o frio, nos aprisionamos nas vestimentas.
Continuamos procurando abrigos cada vez mais apropriados, mais seguros, mais espaçosos, tínhamos que protegê-los, afinal nos protegiam e poderiam querer tomá-los de nós. Seguimos em favor da evolução buscando nos adaptar às situações que nos rodeavam e que foram provocadas por nós.
Necessitávamos do alimento, algas, plantas, frutas, carnes. Nossa prisão agora era a fome acrescentada ao sabor. Então veio o fogo e com ele o calor além do sol. O assado. Nossa prisão agora era a gula.
Andávamos e corríamos, mas a roda nos pegou e nos aprisionou no comodismo. A distância já não nos parecia tão distante e as águas já não serviam só para beber e nadar mas para sustentar botes, barcos e navios. Grandes prisões em dias, meses e anos em prol das fantásticas conquistas. Selamos nossa prisão nos assassinatos, latrocínios e escravidões que vieram com os ódios, as vinganças e os revides.
No sexo oposto avistamos as diferenças e vislumbramos as belezas. Comparamos e trocamos conforme os gostos e desejos, assim nos aprisionando na luxúria e no desamor nas traições e no ciúme.   
Descobrimos as artes, o belo, a variedade, os recursos e as disponibilidades artificiais. Trocamos o belo gratuito pelo belo arquitetado. Aprisionamos-nos na vaidade.
Decidimos que o que conquistamos com esforço ou não só a nós pertencia. Encarceramos-nos no egoísmo. Desvalorizamos a vida que nos foi dada gratuitamente nos afundando na supervalorização do que nos dão interessadamente. Aprisionamos-nos na matéria, no dinheiro, na ganância e nas disputas.
Um dia acordamos numa sensação de que algo nos pesa e queremos respostas. Entramos no cárcere da religião equivocada e da fé alucinada a espera das chaves que destrancarão nossas prisões. Essas chaves não abrem os cadeados.
Aprisionamos-nos ainda mais na desconfiança, nos débitos, nas ilusões. Buscamos um céu livre de nuvens, um portão dourado e um braço sem rosto para nos libertar.
Aprisionamos-nos então na decepção, no vazio e percebemos que tudo que temos representa o que nada temos, pois o que nos liberta está naquele sopro do início, naquele presente nos dado com a vida, a nossa liberdade em nossas escolhas que destrancará todos os cadeados de todas as prisões a que nos acometemos. Assim, redescobrimos o Pai, o espírito e a felicidade plena.